A origem do nome “thrash metal”: como Anthrax batizou um gênero

 


A origem do nome “thrash metal”: como Anthrax batizou um gênero

Embora Metallica, Slayer e Exodus tenham moldado o som do thrash metal na Costa Oeste, foi em Nova York que o gênero recebeu oficialmente seu nome — graças à música “Metal Thrashing Mad”, da banda Anthrax.

Nos primórdios dos anos 1980, enquanto a cena do metal extremo fervilhava na Califórnia com nomes como Metallica, Slayer e Exodus, foi em Nova York que o termo “thrash metal” surgiu pela primeira vez. A responsável por essa nomeação foi a banda Anthrax, formada em 1981 no bairro de Queens. Em meio a conversas sobre o futuro incerto da banda, o guitarrista Scott Ian e o baixista original Danny Lilker chegaram a cogitar se alistar nos Marines caso o projeto musical não vingasse. Mas foi justamente dessa inquietação que nasceu uma das faíscas mais importantes do gênero: a composição de “Metal Thrashing Mad”.

Lançada no álbum Fistful of Metal em 1984, “Metal Thrashing Mad” não apenas definiu o som agressivo e veloz que caracterizaria o thrash metal, como também deu nome ao estilo. A expressão usada por Scott Ian para descrever a música acabou sendo adotada por jornalistas e fãs como rótulo para aquela nova vertente do heavy metal. Com riffs cortantes, bateria acelerada e vocais furiosos, a faixa capturava a essência de uma geração que queria romper com os limites do metal tradicional e mergulhar em algo mais cru, direto e explosivo.

Enquanto a Costa Oeste consolidava o som com álbuns como Kill ’Em All (Metallica), Bonded by Blood (Exodus) e Show No Mercy (Slayer), a Costa Leste, liderada por Anthrax, oferecia uma abordagem mais urbana e sarcástica. A cena nova-iorquina era marcada por uma fusão de influências punk, hardcore e metal, o que tornava o thrash dali mais ácido e politizado. A música “Metal Thrashing Mad” tornou-se um marco não apenas por sua sonoridade, mas por ter batizado um movimento que se espalharia pelo mundo nos anos seguintes.


O impacto da faixa foi imediato. Revistas especializadas começaram a usar o termo “thrash metal” para descrever bandas que seguiam aquela fórmula sonora: velocidade, agressividade e técnica. Em pouco tempo, o gênero se consolidou como uma das principais vertentes do metal nos anos 1980, com o surgimento do chamado “Big Four”: Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax. A contribuição da banda nova-iorquina, portanto, não se limitou à música — ela foi semântica, conceitual e histórica.

Hoje, mais de quatro décadas depois, “Metal Thrashing Mad” é reconhecida como a pedra fundamental do thrash metal. Scott Ian, em entrevistas recentes, relembra com humor o momento em que ele e Lilker cogitaram abandonar a música: “Se a banda não desse certo, a gente se alistaria nos Marines. Ainda bem que não foi preciso.” A frase virou símbolo da persistência e da paixão que movem músicos em busca de identidade. E foi justamente essa busca que deu nome a um dos gêneros mais influentes da história do rock pesado.

A história do thrash metal não pode ser contada sem mencionar Nova York e a ousadia do Anthrax. Em meio a um cenário dominado por gigantes da Costa Oeste, foi uma banda do Queens que cunhou o termo que definiria uma geração. “Metal Thrashing Mad” não é apenas uma música — é um manifesto, uma certidão de nascimento e um lembrete de que, às vezes, é preciso nomear o caos para que ele faça sentido.

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